Kengo Morimoto é um personagem que encarna com precisão a frieza estratégica de quem está por trás das câmeras no universo de Oshi no Ko.
Como produtor de reality shows — incluindo o famoso programa de relacionamentos onde Aqua, Kana, Akane e MEM-cho participaram — ele representa o lado cruel, mas incrivelmente real, da televisão e da manipulação de narrativas para atrair audiência.
Morimoto não é alguém que age com malícia explícita. Ele raramente levanta a voz ou demonstra intenções obscuras. Pelo contrário: seu modo de operar é sutil, disfarçado de profissionalismo. Seu trabalho é fazer o programa render, prender o público e gerar engajamento — e para isso, ele sabe exatamente como conduzir os participantes para situações de tensão emocional. Ele não cria os conflitos, mas posiciona as peças para que os conflitos aconteçam naturalmente.
Durante o arco do reality show, Morimoto interfere diretamente nas relações dos participantes. Ele edita falas fora de contexto, estimula certos tipos de comportamento e cria condições que favorecem o drama — mesmo sabendo que isso pode prejudicar os envolvidos emocionalmente. É essa abordagem que culmina no incidente com Akane Kurokawa, quando, após sofrer ataques online por uma interação mal interpretada, ela entra em profunda crise psicológica.
A reação de Morimoto ao incidente é reveladora: ele não assume a culpa, mas tampouco age como um vilão típico. Em vez disso, justifica suas escolhas como parte do “formato do programa”. Para ele, as emoções dos participantes são insumos para o conteúdo. Essa postura o coloca como símbolo de uma indústria que lucra com a dor alheia — não necessariamente por maldade, mas por costume, por lógica de mercado.
Sua relação com Aqua é especialmente tensa. Aqua percebe rapidamente o tipo de pessoa que Morimoto é, e passa a usá-lo também como peça em seu tabuleiro de vingança. No entanto, há uma ambiguidade curiosa entre os dois: enquanto Aqua manipula as pessoas para chegar à verdade, Morimoto manipula para entreter. Ambos são estrategistas — a diferença está no propósito.
Morimoto também serve para revelar como o entretenimento moderno opera em diversas camadas de verdade e mentira. Ele não precisa escrever roteiros — ele apenas posiciona câmeras nos lugares certos e confia na natureza humana para gerar o drama necessário. Isso o torna um dos personagens mais perigosos de forma indireta: ele não mata, mas destrói reputações; não grita, mas molda narrativas que podem arruinar vidas.
Kengo Morimoto é o homem que ri fora do quadro, enquanto os outros choram no palco. Ele é a encarnação da TV que esquece que quem está no vídeo também é humano. Em Oshi no Ko, onde a linha entre realidade e ficção é tênue, Morimoto pisa nela com os dois pés — com roteiro, contrato e audiência nas mãos.

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