Sauros Boreas Greyrat é um personagem que pode facilmente ser interpretado como um tirano bruto à primeira vista — e em parte, é — mas por trás de sua fúria constante e gritos autoritários, esconde-se uma figura complexa, guiada por honra, orgulho familiar e um amor profundo por sua neta, Eris.
Ele é o patriarca da família Boreas, uma das casas nobres mais poderosas do território de Fittoa, e comanda seu domínio com mão de ferro, sem paciência para política ou bajulações.
Sauros é barulhento, impaciente e muitas vezes age antes de pensar. Seu jeito antiquado e violento de lidar com problemas o afasta de muitos nobres e autoridades do Reino de Asura. Porém, o que ele tem de truculento, tem também de leal e corajoso. Ele não hesita em apoiar Paul quando este lhe apresenta Rudeus como tutor de Eris, mesmo sendo um garoto estranho e desconhecido. Mais do que isso, Sauros reconhece a importância da educação para o crescimento de sua neta, e confia em Ghislaine para moldar sua força.
É justamente esse lado protetor e afetuoso que o torna um personagem memorável. Sauros não mede esforços para garantir o futuro de Eris. Sua rigidez tem uma razão: preparar a neta para um mundo cruel. No fundo, ele sabe que não estará sempre presente, e que a posição de nobreza não é garantia de segurança. Sua decisão de dar total liberdade para Rudeus educá-la mostra que, apesar do jeito rude, é um homem prático e realista.
Infelizmente, sua trajetória termina de forma trágica. Após o Desastre Mágico que destrói o território de Fittoa, Sauros tenta manter a ordem e cuidar dos sobreviventes, mas é considerado responsável pelo caos e executado pelo próprio reino que serviu. Sua morte é abrupta e injusta, marcada pela política fria e traiçoeira da nobreza de Asura. Rudeus e Eris só descobrem seu destino tempos depois, e a dor da perda pesa especialmente sobre Eris, que o via como figura paterna e símbolo de sua casa.
Sauros Boreas Greyrat é o retrato do velho mundo nobre: rude, direto, mas repleto de princípios. Sua morte marca o fim de uma era, mas também o início da verdadeira jornada de sua neta. Ele é o chão que Eris pisa antes de alçar voo por conta própria — e mesmo sem nunca se curvar, ele foi, para ela, o maior dos protetores.

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